Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

À ERMO


À ermo!

Junto às folhas caídas em meu quarto
Vejo o vento rodopia-las em solidão
Como a mim no abandono dos pensamentos
Seca e úmida como elas a adubar

Junto às penas leves trazidas pelo assassínio
Tênues a movimentar ligeiro
Como a mim na entrega do som
Agrupando os sentidos em meu interior

Entre a poeira de vários dias
Assentadas onde podem pousar
Igual a mim em busca de um lugar
Ao cheiro do ar que me traz sono

Entre os ácaros misturados ao pó de mim
Comendo matéria morta e viva
Igual a mim, alimentando de história
As dobras concretas de minha origem

Situada em lugar ermo
Rogando com instância, licenciosa
Que não é vazio ou oco...
Nem fluido ou líquido... sim espesso... no isentar!!!

Luciana Maria Borges

AGORA SOU


Agora sou

Espectador e ouvinte
Neste instante
A poucos passos de mim
Descendo em convergência
De entrega e solidão
Um minuto de som em proza
De viola e convicção vaga!!!

Luciana Maria Borges

ESPECTADOR E OUVINTE


Espectador e ouvinte

Você está longe de mim
Mas te vejo agora nos meus mais profundos pensamentos
Você está indo embora
Te chamo e você voa
As vezes lhe vejo imaginando sua volta
Sobrevivência e sonho...
O contínuo não mostra magia
Apenas sua retidão
Sóbrio a vagar vendo suas perdas
Seus toques que desejara outrora
Os nota nas calçadas e entrelinhas
Por que não sou simples
E escrevo minha dor
De que ... não sei... mas sinto insatisfação
No desejo de buscar-te do meu lado
Você que não conheci
Exigindo uma luta... como se eu fosse um grande valor
Onde nas mãos a sentir-se seguro
É mais concreto que o medo de tê-lo a flautear comigo!!!

Luciana Maria Borges

ESGOTADO


Esgotado

Incondicional na escuta
Suscitando a imaginação
Quero sua voz mais firme
Cante para mim
Em meio a detalhes que diferem
Um todo constante
Que penetra esta alma infortuna
Porque assim o fez
Suas sementes vingadas
Incredulice nas estações do ser
Suas rugas... inéditas... de tempo
límpido, depois se vê...
Na correnteza vendo vendo o fim
Essas águas de encontro fúnebre
Por que assim escolheu
Tuas mãos sob a superfície
Agarrando sua alma
Inserindo a vontade de tocar o mundo
A vontade de não sentir
Tão o mesmo... tão o mesmo
Que lhe faz mal!!!

Luciana Maria Borges

DUPLA IDÉIA


Dupla idéia

No abrigo das folhas escuras
Compartilho vórtices de nostalgia
Engendrando a morte no limiar simples
No consciente e inabalado estágio
Este risco que mostra traços teus
Talhado, sulfuroso, encantado...
Porque simplesmente... você
Vértice púrpura que jorra vida
Com o mais nascente sol
Inconsciente em cada um!!!

Luciana Maria Borges
Victor Abrahão Dias dos Reis

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

FAÇO MINHAS AS PALAVRAS DELE


Faço minhas as palavras dele

“...O essencial é saber ver
Saber ver sem estar a pensar
Saber ver quando se vê
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa...”

“...Não quero nada
Já disse que não quero nada
Não me venham com conclusões
A única conclusão é morrer...”

“... Vou escrevendo meus versos sem querer
Como se escrever não fosse uma coisa feita de gestos
Como se escrever fosse uma coisa que me acontece
Como dar-me o sol de fora
Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto...”

“...Não quero nada
Já disse que não quero nada
Não me venham com conclusões
A única conclusão é morrer...”

Fernando Pessoa/Roberto Caiero
Composição musical: Luciana Maria Borges

Quinta-feira, Outubro 25, 2007

UM MUTANTE


Um mutante

Por tudo
É melhor que tenhas medo de mim
Hoje sou sempre a mesma
Ao mesmo tempo sou outra coisa
Irreconhecível
Um mutante
Mas sou assim
São apenas minhas personalidades
Movidas a sentimento
A concentração do momento!
Uma aprendiza de longa data
Receio em tudo
Aberta a tudo com restrições
Inocência sabia!

Luciana Maria Borges

UM MAR


Um mar

Vejo-me diante da profundidade
Meus pés não podem perceber o chão
Os desafios dedem prudência
Não se brinca com o desconhecido
Suas ondas podem levar em correntezas
Aonde elas vão
E o que nelas têm?
Um lobo
Não sou ovelha nem lobo
Sou meio termo
... sempre um meio termo a ver tudo
Quem se engana comigo?!
Em mim vejo-te
No desafio ignoto
A incógnita do ser... quem tu és
Eu sei letras... elas dizem
Diz quem é o tempo inteiro
Nos pormenores
Em todas as faces que tens
Que monstros traz ai dentro de ti
Que fantasmas vai me mostrar depois e agora?!
Precisa-se apenas ver nas entrelinhas...
O que somente os anos revelam!!!

Luciana Maria Borges

NAS COISAS MAIS SIMPLES


Nas coisas mais simples

Nada é constante
Nem os sentimentos
E você sempre estará triste
Sempre se deparará com o vazio
A felicidade lhe passará todos os dias
Como as tristezas também por ventura andem contigo
Uma escada longa e cheia de curvas
Olha pra todos os lados
Apenas veja
Apenas viva
Ao se preocupar com tudo não terá nada
Ao se deixar... conhecerá o máximo que puder
Nas coisas mais simples
Nas coisas mais simples...
Uma completude que substitui seu peito vago!!!

Luciana Maria Borges

Quinta-feira, Outubro 18, 2007

VIAS ABERTAS


Vias abertas

Sou aquela que ama
Vivendo intensamente a cada instante
Passando através do medo
Nas vias abertas de cada um
Sempre um novo
Que se torna linha, nota ou tinta

Te guardarei
Te esperarei
Por um instante... te lembrei

Te fiz a minha história
A que não vivi
Porque te deixei partir
Vi você num horizonte lindo
Sua história junto à minha

Mas lhe deixei
E por um instante... te amei

Eu lhe farei
Eu lhe pintarei mais uma vez
Lhe cantarei
Uma poesia em notas musicais

Hoje eu estive só... olhando
Você desenhado em um horizonte lindo
Sua história junto à minha
Mesmo só...
Porque longe está...
Minha bela fase em notas musicais

Eu lhe farei
Eu lhe pintarei mais uma vez
Lhe cantarei
Uma poesia em notas musicais

Luciana Maria Borges

AO ENCONTRO DE SI


Ao encontro de si

Quem sabe um dia
Eu vou pra longe daqui
Longe de casa
Longe de mim
Pra não mais me arrepender... uma fase
Infância, adolescência e juventude
Eu em mim
Riscando o contexto de um passado do avesso
Quem sabe um dia
Eu vou pra longe daqui
Longe de casa
Longe de mim
Uma busca, um começo
Se fazendo igual em luta
Um nobre, compondo em desabafo uma chance de viver
Um novo traço em outro lugar!

Luciana Maria Borges

Quinta-feira, Outubro 11, 2007

FRASE 1


Na medida que as coisas mudam
O passado se apaga
Entre as recordações de um desejo!

Luciana Maria Borges

DEPOIS


Depois

É sim...
Eu aproveito o meu momento
Gostaria que pudesse existir
Uma mudança
Uma nova fase
Vou embora
Vou renascer
Um peito aberto
Uma expectativa ... apenas mais uma
Haverão outras... e outras
E outros mundos
Em outras imagens
Um gosto....
Permanecendo entregue sempre
À poesia de mim!!!

Luciana Maria Borges

Terça-feira, Outubro 09, 2007

LINHA EM PONTOS


Linha em pontos

O que foi pra mim?
Uma experiência
Costura de impressões
Aspereza por defesa
Afirmar-se para amar-se
Só tua voz não basta
Seu desejo
Sua crença
Nada...
Caso não haja sentença
Mas só uma é pouco
Pois várias formam concretismo
Em cada parte um alívio
Absolvido pela massa
Que pratica o que mais critica
De forma tão banal
Por ser detalhe
Mas qual detalhe pode ser banal?
Vejo as coisas se repetirem
Em condenação, depois em ação
E sua defesa, ou justificação
Rebaixar pra se exaltar
Purificar-se ao firmar sua conduta
Nas atitudes alheias
Em cada ponto desta linha contínua
Um personagem mutante!!!

Luciana Maria Borges

TO BE CONTINUE


To be continue

Meu bem
Ao caçar de olhos vermelhos
Ao pôr do sol deixo
A ti uma lágrima
A ti um adeus
Nos calos destes dedos
Dedilhando meu amor por ti
Surreal
Um pensamento... tão rápido
Ao som do clássico me estilhaço
Minhas partes
A se transformar
Em concentração durada além
Erupido das mãos e dos lábios
Quantas vezes assim foi igual!
O que ser perdeu
Entre todos um museu... do mais banal
My darling
Esqueci de avisar meu pulso
Sobre ti... ele sabe mais que eu
O agito que toma ao brilho vermelho
Deste pôr... uma deixa
Memórias
I’m go home! To be continue… But my loved you
As migalhas de mim
Retornando!
Agora é hora de se acostumar denovo!!!

Luciana Maria Borges

RUAS NUAS


Ruas nuas

Na relatividade instantânea das coisas
Observando e lembrando
Conceitos
Necessidade de momento
Uma profundidade comum
Um encontrar-se individual
Na medida das reflexões
Na prática das conclusões
Ver sua pequeneza... igual a todos
A vida em um sentido
Tempo construído
Quanto de ti faz parte deste molde!
Barreiras e limites...
Quantos deles só uma meta...
Em busca de rupturas
Personalidades sua!
Quanto de ti foge
É porque são meus
Para uma explicação
Olhando do alto
As ruas... nuas...
Com toda sua história
Na descoberta ou esconder de si constante
Um sentimento de momento
Desigual... ou igual demais em solidão!!!

Luciana Maria Borges

VILADOS


Vilados

Como pode alguém assim!
Em sua beleza louca
Um intelectual
Vivendo os limites
Achando um fim
Depois de tudo... a quase morte
A física... estrutural
Seus conceitos... quem formou?!
Uma posição
Não se tem
Há algo que não se paga
Mas ainda tem...
Por mais “defeitos”... quais são?!
Quem são estes “erros”
“Os poetas não são escolhidos”
Lembrarei o começo... e as impressões
Comportamento... como pode?
Um choque que surpreende
Coragem... loucura plena
Um explodir pra se ouvir
O que precisa... não se compra...
A moeda se extinguiu na infância!
Uns trechos sei...
Teve sorte ou azar?!
Diante de todos... quais são?
Quem são... suas contradições
Seu complexo... único...
E tão igual!!!

Luciana Maria Borges

GUARDADO


Guardado

Ainda bem que tenho sua imagem
Guardando-o em sua juventude
Pois meus olhos "não envelhecem"
E quando vê-lhe em deforma...
Devido ao tempo que à ferro e fogo lhe tolhe...
Ainda bem que lhe guardo
Uma imagem que pude tocar
No agora mutado em todo
Nem história faz
O tempo dobrado não lhe mostrará...
A não ser nesta linha!!!

Luciana Maria Borges

SUA ALMA ARTE


Sua alma arte

A primeira vista... e agora ou muitos anos atrás
Sempre um homem de encantos jovem
Determinação em melodia
Que mesmo dormida... expressa
Agora ... o mesmo!
Lapidado em suas conquistas
Soube morrer na hora certa
Na vida que não desejava
Nascendo das cinzas... o que era
Subconscientemente o era!
Mas devia e faltava desejar... sempre!
Um ouvir no topo da montanha
Onde se sente a brisa
A liberdade de ser
Num frio olhando ao longe
Podendo assim, enxergar melhor a si e ao todo!
Através do cristalino...
Sua essência!!!

Luciana Maria Borges

Sexta-feira, Outubro 05, 2007

QUESTÕES


Seus olhos refletem além do que sentes o que quem os vê deseja!
A beleza que lhe absolve dos males
Que lhe faz desejável
Podes aventurar-se de diversas maneiras
Ò verão como liberdade
O quanto esta pode afetar quem se afoga neste seu impetuoso envolver
À mercê das brevitudes de momentos
As palavras revelam sua liberdade?
Ou faz parte... a entrega inteira, com todas suas promessas
Por que assim se torna mais intenso o momento?!
Antes de se conhecer ou viver mais coisas, já se tem uma imensidão de idéias...
Sendo assim, é melhor viver com a ilusão do inabalável, ou se arriscar às decepções?!

Luciana Maria Borges

VOCÊ


Você

Vem a mim
Como um cheiro inesquecível
Poder de tua existência
Teu sorriso eu gostaria de imortalizar
Gostaria de dar conta
Com a tinta e o pincel
Óleo sobre tela ... pintar
Em conjunto teu olhar profundo
Entorpecente e envolvente
Despertando um desejo que morde os lábios
Como um imã ...
Que leva meus dedos à sua pele
Sem poder dizer não!
Quase irresistível
Tua maciez inteira
Fazendo-me pensar em ti todo
Em cada detalhe
Teu corpo de ponta a ponta
Com toda sua textura
Com toda sua fragrância
Sentidos... sentidos!!!

Luciana Maria Borges

REFLEXO DE EU EM TI


Reflexo de eu em ti

No desafio da distância
Na corda bamba de um tudo concreto
Com a única fúria do eu abstrato
Sentir..., gosto disso
Saudade sua
Que quanto mais dói
Quanto mais forte...
Mais posso criar
O reflexo de eu em ti
Meus inconscientes despertares
Minhas latentes artes!!!

Luciana Maria Borges

Terça-feira, Junho 12, 2007

AI, PORQUE É RUIM


Ai, porque é ruim

Acordei no meio da noite
Meu estômago doía corroído
Sonhei com você, mais de um dia
Em dois, bastante angustia
Temores...
Ao vê-lo completamente distante
Ao vê-lo completamente impossível
Mas onde está a linha do desistir?
Até onde se é covarde?
Até onde se molda a própria personalidade
Para se ter o que quer?
Aquele que gosta de estar só... duvido!
Aquela que não se pode querer ... não aceito!
Dentro de tudo... fatos e contradições
A descrença é tão verdade quanto a minha teimosia
Eis meu mal
Minha cova
Minha aflição
Tão misantropo quanto eu
Não consigo deixa-lo
Está em minha mente corroendo as horas
Desvirtuando a concentração
Te imagino
Desenho em cada linha
Amo em cada segundo
Sinto ciúmes...
Infelizmente!!!

Luciana Maria Borges

MEU MISANTROPO MAÇANTE


Meu misantropo maçante

Maciço opaco
Sou maço macerado
Nesta macega de querer-lhe
um macaréu em tuas margens
Tu macérrimo com refluxo
Fragilidade não macilenta
Brando dos lábios avermelhados
Esta macromania misantrópica...
è que lhe faz regurgitar...
Madrugo ao acordar em ti
Um espelho em mim de ansiedade
Madurando meu caldo nesta dor
Nesta madrigal atraente
Em que és a madeira... que queima
Tanto quanto eu ainda magano
Mesmo que triste e amargurado
Fico no meio desse magnetismo inconsciente
Querendo-lhe ... magnificando-lhe
Em tudo... quanto posso ver... sentir
A contusão vem em brasa, magote vasta
Aplico-me a maiêutica para piorar
Mais ... e mais
Como quem não se cansa nunca
Ao malograr... insisto
Em vão ... insisto
Olhando através da malha com um malote
de pequenas táticas... buscando...
A brecha de sua misantropia!!!

Luciana Maria Borges

VOCÊ ME INSPIRA


Você me inspira

Alguém inútil
Com quem somente se monóloga!
No entanto, é difícil de desistir de alcançar suas letras!
Você é o personagem ideal para um poeta
Uma cocaína
Que inspira... que embriaga
Um fardo que dilacera as vísceras
Fazendo dali, nascer maestria madrigal
Ilusões... versos!!!


Luciana Maria Borges

Quinta-feira, Maio 24, 2007

A POLÍTICA NO PLANO REAL COM TODA SUA FALTA DE ÉTICA E RESPEITO À CULTURA SOCIAL.


A Política no plano real com toda sua falta de ética e respeito à cultura social.

Na verdade, dentro da política, há um discurso semiculto do convencimento, uma vez que usa-se frases, provérbios, trechos de obras, representações do concreto (habitação, segurança, saúde etc.) para ganhar votos, levando a população a acreditar em proposta que quase nunca são realizadas depois das eleições. Entre as divergências de esquerda e de direita, ideologias são criadas, copiadas e/ou transformadas para a aquisição de votos.
Mas, no entanto, o político deveria representar o povo, o que na realidade não ocorre, uma vez que o parlamento acaba sendo uma célula distinta da população, na medida em que, a mesma, intervém no parlamento somente através de greves e/ou movimentos sociais organizados.
Por esse motivo a política e a população são tão distintas, e na correlação de forças é a política que define as leis, enquanto a população não promove transformações dentro do núcleo político, a não ser através de protestos e organizações sociais.
Sendo assim, o modelo político só tem unicidade em épocas eleitorais, momento em que os políticos fazem promessas descabidas, utilizando ideologias alheias de forma hipócrita, sendo que, talvez nunca tenham lido sequer uma obra filosófica ou científica de autores como Sartre, Marx, Aristóteles, Maquiavél, entre outros.
Dessa forma, a política acaba sendo um palco de espetáculo onde se propõe muito e pouco se faz, criando-se ídolos e mártires que possam representar o povo, o que de fato não ocorre, sendo que a maioria dos políticos não representa a sociedade (de forma satisfatória), fazendo com que a ética e o respeito cultural acabem sendo deixados de lado, ou simplesmente esquecidos, na medida das conveniências.

Luciana Maria Borges

Segunda-feira, Maio 21, 2007

FAR-LHE-EI


Far-lhe-ei

O tirarei desta realidade fluxa
Torna-lo-ei uma arte
Interpretando humanamente sua dor
Como um símbolo... um eu
Um valor agregado
Como se fa(e)z sempre
Não precisando de um mundo externo
Em fundamental ação
O tirarei desta realidade escrava
Mesclada de valores
Elevando-lhe à arte
Que é de todo... mais sublime
Um a fuga
Um eu refletido em ti
Inerência moral de mestre
Quem pode mais... se projetar
Sem razão... será...
Apenas sentimento
Na lágrima rasa dos olhos
No turvar de face
Comportamento e imagem
Imortalizando-lhe
Para os que nascem sempre
Buscando uma insujeição criativa
Um dizer não... um dizer sim
Uma indesvendável existência
Que se quer sempre herdar!!!

Luciana Maria Borges

Sexta-feira, Maio 11, 2007

RUMORES


Rumores
 
Rumores
Eu ouvi rumores...
Mas eram de porta... de calçada!
Daqueles blefes
Daquelas falácias
É como dizer... ouça-me
É como dizer... olhe-me
Eu ouvi... mais uma história
Das minhas... das suas
Ouvi sem querer... mas ouvi sem querer
Dizendo mil vezes.. vida
De cabo a rabo, de cima em baixo
Mas uma....
Que quer um toque
Que quer... que quer...
Infelicidade de não suportar a si mesmo
Ou infelicidade de não poder compartilhar a si mesmo
Quão bom
Quão bem
Se cresceu aprendendo
E depois sabendo... quer dividir
Se não os tem
Em letras deixa...
Para mofar... para mofar
Dilaceradas e decompostas
Minhas letras... suas letras...
Nossas vidas!!!
 
Luciana Maria Borges

TÓC CORESS


Tóc cores
 
Um cor viva
Uma cor tênue
A que fica
A que vai
Escolhe uma na medida do estado
Testando suas fissuras
Rocheando tuas sentinelas
Fez certo
Uma escolha sapiente
Sã e altiva
Fazendo-me bem em descobertas
Só depois percebe-se
Que os rumos são melhores
De janelas mais amplas
Sutilezas embebidas de vaguear
Tóc tóc...
Seus passos...
Insistência e reconhecer
Quando se deve
Quando se faz melhor
Em formosura do não deixar rastros em si
Na medida que fora até o fim
Aquiescências de tua fala muda
Os interpretares...
O salão de dança
Até que se baile a última
No fim da noite durma
Para que se desperte ao clarear do dia!!!!
 
Luciana Maria Borges

BRANCA COR


Branca cor
 
Rosna Branca
Vem cheirar meu focinho
E beber minha saliva
Lambendo meus lábios
Sinta o gosto da cumplicidade
Em se deixar cair nos braços
Em se deixar ir pelas mãos
Brinque todas as manhãs
Assim permanecerá...
De modo que meu coração roube
Dormindo em meu colo
Dormindo à meu lado
Seu charme inocente!!!
 
Luciana Maria Borges

SEMENTE


Semente
 
Um gostinho de fruta verde
Ei-las... para suco
Adocicado com mel
Púrpuros vidros
Transparência de seu reflexo
Não precisa mais...
Que uma hora de sono ao dia
Doze horas de sono à noite
Acidez de um suco
Amargura que só se tem
Ao deixar passar da hora...
As sementes também são açucaradas
Saborosas...
Suculentas!!!
 
Luciana Maria Borges

FRASE


Que a felicidade esteja na brandura de suportar a si mesmo nos momentos de solidão, tendo a certeza de que o compartilhar-se é extremamente gratificante a outros!!!!
 
Luciana Maria Borges

DEIXE-ME SER


Deixe-me ser

Em meu silêncio
Direi
Eu recordei... razões de cada um
Ilusões
Se queres me conquistar
Deixe-me livre
Se tens amor pra dar
Receberei... ou não
Se queres reciprocidade
Deixe que apenas seja
Não me pergunte nada
Deixe-me espontaneamente falar
Somente receba... se quiser
Eu odeio a certeza e também a dúvida
Porém... amo a vida
Não me imponha
Não me pergunte
Não me cobre
Somente me deixe ser... o que sou
... o que posso oferecer
Meus sentimentos são desprovidos de grades
Não lhes coloque uma sequer
Se caso deseja lhes tocar
Pois não é possível precisar a todo instante!!!

Luciana Maria Borges

POR QUE VOLTOU?


Por que voltou?

Na mesma vida
Os moldes maduros
Roídos e intemperizados
Uma peça que se torna...
Trás novidades e às leva
Maldade e inconseqüência...
Um brinquedo inteiro
Despedaçado humano
Como prova de resistência...
Quem dá mais?
Quantos riram de meu entristecer?
Um refúgio é enganar-se
Por um tempo, nada mais
Porém necessário
Para o enfraquecer da derrota
Ausente em mim
Sentimentos... nunca?
Sinto falta de compartilhar
Carinho, cumplicidade, amor enfim
Um dado de seis
Um coringa...
O final
Havia me acostumado!
Porque voltou?
Trazendo nas mãos palavras e crenças
O que são palavras sem contexto?
O que é um vínculo sem convívio?
O que é a presença na ausência?
Apenas vazio
Apenas dúvida!!!

Luciana Maria Borges

RETÓRICA


Retórica

Por observar, posso fazer o mesmo
De melhor forma
De melhor jeito
Os desencontros sentimentais
Que não cabem na imagem
Tênue
Assim a quero... toda invólucro
Será de pinceladas
A nitidez de meu esconderijo
Que não deixa de ser real
Existente em cada pulsar
Nos sofrer e os encaixes
Nos gostar e os desejos
Assim lhe monto em quebra-cabeça
Assim lhe sinto e sonho
Nas idas de um possível recomeço
Descobrir-se
Nas artes
Precisando o amadurecer
De cada instante
De cada você
Não o que foi...
Somente o que criei
E por criar... ver
Interpretar
A retórica dos atos
As mãos...
Principalmente a imagem
A idéia
O proteger-se da dor...
Amenizando-a em micro-gotas
Ingeridas ao regar paixão por ti!!!

Luciana Maria Borges

SEU QUADRO


Seu quadro

Quero pintar-lhe
Uma imagem que é meu encontrar e fugir
De sorriso largo
E olhos brilhantes
Dissipando notas sonoras das mãos
Um instrumento musical
Um ser real na mente
Um inexistir constante nos fatos
Não é a idéia da arte
Amar é insano
Na loucura irei a fundo
De que vale tudo ... sem nada
Altos e baixos, meus julgamentos
Você me inspira, mas te crio...
Eu me inspiro em você
Qual faceta pode ser real...
Quando lhe vejo e interpreto-te?
Por que não a minha?
Se talvez você precise dela?
Um tanto viscoso
Um tanto escorregadio
Suas cores... em outro ângulo concretas
Pelas mãos...
Pelo desejo...
Pela imaginação criativa
De quem quer...
Escolheu amar você!!!

Luciana Maria Borges

ESCOLHAS SÃO VALORES



Escolhas são valores

Dar murro em ponta de faca
Só dói
E apenas dói
Mentir pra si mesmo
Além de lhe fazer perder tempo
Só dói
Apenas dói
Ilusões se constroem na medida da necessidade inata
Compareça para jantar com os hipócritas
Dos quais, não se diferencia
As vezes em seu enganar-se
Lhe coloca amarras e limites fúteis
As escolhas de valores
As escolhas de dores e causas
Continuar furando as mãos porquê?
Quantas evidências mais...
Será preciso para fazer-lhe ver
O fato real?!
Mente que constrói entre pontes...
Do inexistente para o concreto
Idéias verso fatos
Quantas provas mais?
Quantos esconderijos mais?
Necessidade de quê e quem...
Apenas mais uma trincheira
Exclusivamente e unicamente
Feita por si!!!

Luciana Maria Borges

CAI NA REAL


Cai na real

O que sempre diz?
Cobra... queixa
Parece que não anda seguindo...
Seus próprios conselhos
Dialogue consigo... quem sou?
És o agora, e tudo a teu redor
Situações...
Não esperar... jamais
Pois hoje tenho raiva de mim
Pela burrice e ignorância
Teimosia sem fim
Cruel e impiedosa a mim
Porque tudo que dizes... é sábio!
Por que não cumpre?!
Por que insiste?
Por que espera?
Os meses no dissipar...
Acumulam conhecimento sabedoria
E também sua contradição física
Que também é fato
Apenas...
De uma vez por todas
Caia na real...
Ame-se
Deixe de ser inimiga de si!!!

Luciana Maria Borges

DESVENCILHAR-SE


Desvencilhar-se

A cultura da qual... foge
Imigrante
Em ti e fora de si
Podes em parte
Romper..., exige mais força migrante
Assim, então é melhor...
Quem sabe justificar
Sua espera... emigrante
Tempo que esgota ... esgota
Seria preciso um tapa na cara?
Uma surra... mas...
Tão forte é a ilusão
Que nos olhos há fumaça
Cegueira branca psicológica
Inibição de sua realeza...
És ... que transforma...
És ti... sempre... mais maduro
Desmembrando
Refazendo-se
Tecle a tecla...
Até que alguém ouça e veja
O que é mais importante?
Não viverá só, nunca
Mesmo que queira...
Mesmo que seja...
Estará sempre á sua volta tua origem
Tudo que lhe fez até agora...
Um túmulo... um valor... uma vida!!!

Luciana Maria Borges

EXIGÊNCIA


Exigência

Como não pensar somente em mim?!
Se apenas individualmente amo-me
Respeito-me
Em todos os meus estados
Sendo então a explicação do bem estar solitário
Em outras mãos ... a exigência
O descaso em atos
Tripudiando dos segundos de entrega
Alma... corpo
Em busca de quê ou de quem?
Algo interno, uma batalha
Travada consigo
Dirigida ao alheio
É como dizer não ao descobrir sem pressa
Ao criar
Ouvir que deve ser isso ou aquilo
E não o que de fato é
Em todas as velocidades
Em todos os ângulos
O corpo que deve ser querido em suas formas e disposições
Aí tenho desânimo... preguiça
Uma vez que vejo a busca pelo prazer
E não do completar-se...
Ambos
Por isso o medo e o isolar-se
Pois prazer e amor posso dar-me
Sozinha
De outro, quero sublimação...
O que posso ser recíproca sempre!!!

Luciana Maria Borges

ESTADO


Estado

Unicamente
Carregando certezas e incertezas
Medos que dissipam
A tempestade vêm até você
Lhe molhando a pele
lhe faz crer
Depois de tudo... o vazio
A distância e suas faces
Nada é certo
Sentimentos?
Quem são ao longo da vida?
Como não duvidar?
Como esperar?
Em caminhos desprovidos de luz
Mil coisas... infinitas sortes
Metas que tranqüilizam em vista grossa
De olhos fechados na claridade dos dias
Mesmo que abertos... imagens relativas
Individual... conjuntural... estrutural
Desafios de decidir
Sofrimentos... angústia
Quero paz
Apenas paz pra ser feliz!!!
Ou uma morte rápida e indolor... breve... com cianureto!!!

Luciana Maria Borges

DÊ-ME RESPOSTAS


Dê-me respostas

Eis-me
Em minha ridiculice
Na qual me encaixo muito bem
Das palavras ao silêncio
Em egoísmo ou solidariedade
Um olhar
Compenetrada em descobrir
Minha pressa instantânea
E(u)...goísmo!
Sarjeta em que me encontro...
Em muitos segundos de cada dia
Eu...
Este humano...
Que também tem defeitos
Em forma bizarra
Umbigo! Dê-me respostas...
Tira-me do vazio
Dê-me o que fazer... passando o tempo
Não sentir... não sentir
Auteridade! Dê uma luz...
Nesta imensidão de superfícies individuais
Não exigindo-lhes que me dêem o que fazer...
Para passar o tempo
Consciência! Quem és tu em mim?
Reconhecendo teus melhores amigos...
Como seus piores inimigos
... na balança....
Quem és tu em mim? Razão!
Que vê... Que não vê
Que sente... que não sente
Que conclui... que não esquece
... na balança...
Dê respostas! A mim ... eu...
Este humano que também tem defeitos!!!

Luciana Maria Borges

Quinta-feira, Dezembro 28, 2006

O QUE SE VIVE


O que se vive

Assim se encontra
Nas experiências do agora
Em cada momento um sentir
Experimentando o entorpecer
Provando as sensações
Quem dirá?
Na individualidade melhor...
Uma música se faz
Pode ser uma insígnia
Uma simples queda de pressão
Mas é, dissimuladamente, um ser humano
Querendo a sua biografia
Intensa
Contudo, esta melhor
Por momentos descompassados
E a vida?
Lembro todos os seus instantes
Todos os seus momentos
E deles gosto...
Até o fim
Por que sou eu!!!

Luciana Maria Borges

MINHA PRESA


Minha presa

Encantuo-te
Somente para ver-lhe
Contra a parede, e suas expressões
Nesta se inibe, se esquenta
Hora de olhar medroso
Hora de olhar voraz
Queres-me
Sou “tua” presa
Caçando em jogo de sedução
Em meus caninos afiados
De pontas e unhas e dedos
Dos poros o aroma
Vem, que lhe quero mais cedo
Na armadilha que planejo
Quanto mais tempo o tempero
Mais gostoso se entregará
Criativo
Hora és minha lebre
Hora sou a lebre
Porém, não gosto de jogos
Instintos, apenas deixo agir
Sendo a “alfa”
Que domina
Que se deixa dominar
Nas saborosas sensações...
Designadas pela conquista
... contra a parede
É assim que te quero hoje!!!

Luciana Maria Borges

Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

QUIERO HABLAR


Quiero hablar

Deixe-me falar das idéias
Aquele dia eu brinquei
Mais um dia assim
Em que sou mais uma tentativa
Sensibilidade na superfície
No traduzir de capacidades
Tantas mais
Aquilo que critico
O que menos quero ser
Difícil é ser as idéias
Naquela se mostra
Assim social
Complexo é ser os conceitos
Entre tantos, decidir
Logradouros que cruza
A vida é o que a gente dela faz!
Assim sendo...
Suas palavras!!!

Luciana Maria Borges

O MEDO É INDIVIDUAL


O medo é individual

Vejo seus esconderijos de guerra
Em cada olho partes...
Sou
Em cada conhecimento
Um ser
Na medida das descobertas
Só mais uma das noites
O que valem estas?
Não mais o romance
Ressarcir de necessidades
Práticas e renováveis
Pode-se contra a natureza
Extraindo dela
Esquivando
O próprio medo que o faz perguntar
Na carapaça que acena
Terminações nervosas
Em seu questionamento apenas diz
“Estou aqui”
O próprio que a pergunta faz!
Em razão da carcaça que usa
Na tentativa de enganar seus respectivos medos!
Mecanismos intrincados
Fazendo-se crer outros!
Tendo que crer no que diz
São apenas suas trincheiras...
Não mais!!!

Luciana Maria Borges

Terça-feira, Dezembro 05, 2006

COMO COPAÍBA


Como Copaíba

Externos a ti além de si
Chuva que cai
Muda as rotas
Novas opções
Relatividade intrincada
Remédio é curativo riso
Cicatrizante
Ensaio de (meia) hora além...
Quando profundo
Discando pensamentos
Envolvido em seu abismo
Ressonância de idéias
Um traço... uma lápide
Um despertar!
O ensurdecer por gosto e opção
Apenas o que quer
Escolhas e seus reflexos
Cadeias que se desdobram e multiplicam
Quebrando-se e carregando trechos
Aqui fica... daqui vai...
Dia após dia
Sua escolha!
Rir...
Compartilhar apenas prazer
Que as tristezas sejam somente minhas
Nos pedaços... degusta os ingredientes
Quais tem a oferecer?
Misturados formam o sabor e a textura
Enfim... infinitos sentidos
Reais e (ir)reais
Quero ser a copaíba
Que nos lábios trás o que cicatriza!!!

Luciana Maria Borges

ENTARDECER


Entardecer

Desfaz-se de mim
Direito tens
Iguais a tudo/todos
Exposição ... não mais
Imposição... não sou
Gotas que caem diluindo a rocha
No alto (superfície) que desce
Em uma caverna
Estalagmite... estalactite
Vês... como tudo é poesia!?
As tendências
As importâncias
Muito simples...
Ouvir
Ver
Sentir...!
Ao todo em sua volta
Divergências infinitas a cada metro
Não um obstáculo
Porém metas...
Agora... o que faz?!
Saboreando e semeando
Que o martelo bata... por suas mãos
És tu senhor de ti
Mesmo que a responsabilidade disto...
Tenha “dado” a outro
És ti...
Vendo o sol se pôr em cima do muro
A vida passando por você sem que passe por ela!!!

Luciana Maria Borges

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

HUMOR


Humor

As faces do riso
Fácil e melhor
Humor construído
Moldura da tela
Artesanalmente projetada
Cunhada em aroeira velha
Um novo dia
Novas idéias
Rir (não) é fácil
Porém gostoso
Muda-lhe
Experimentando diversidade!!!

Luciana Maria Borges

LÓGICA


Lógica

Seus atos...
Condizem com tuas palavras...
Pensamentos
Quem lhos vê todos?
Sentimentos
Mesmo posto!
Atos
Encontra-se tempo inteiro junto a ti?
Apenas fragmentos de momentos
Assim, do ser!
Então...
Não se conhece, além de frações
Apenas... frações de mim
Reais, na medida dos fatos!!!

Luciana Maria Borges

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